GIRASSÓIS
Mil girassóis
Entre nós
E nenhum vento vem
Na nossa direção
Nenhum pássaro
Passa a cantar
Nenhum pássaro
Nunca mais cantou
Aqui nesse lugar
Nenhuma folha no outono cai
Das arvores paraplégicas
Nenhum som
Nenhuma canção
Nenhuma vidraça para ser quebrada
Nenhuma campainha para ser tocada
Nenhuma casa
Todas as portas fechadas
Nada
Roscas emboloradas
Postas na mesa
Para o café da manhã
Entre mil girassóis.
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quinta-feira, 29 de julho de 2010
O CANTO REVISITADO
AUTO-RETRATO
Espinhos
Espelho
Retrato
Veneno
Queimo
O que tenho
Inundo
O que fundo
E me faz
Sentir-me
Pequeno
Quebro
O que compro
Desfaço
O que faço
Calo
O que canto
Não como
O que planto
Vozes
E frases
Se desfazem
Que eu fiz.
Espinhos
Espelho
Retrato
Veneno
Queimo
O que tenho
Inundo
O que fundo
E me faz
Sentir-me
Pequeno
Quebro
O que compro
Desfaço
O que faço
Calo
O que canto
Não como
O que planto
Vozes
E frases
Se desfazem
Que eu fiz.
O CANTO REVISITADO
O SONO DE INGRID
Ingrid dormia seu sono profundo
Um sono de anjo a muito estendido
Deitada na cama, aos poucos partia
Ninguém duvidava, Ingrid dormia
Tinha o ar sereno, de noite bem dormida
Rosto de porcelana, Ingrid sorria
Do andar de baixo a mãe sussurrava
Aos ouvidos do filho que barulho fazia
Mas anjos vindos de abismos escuros
Sentaram-se ao pé da sua cama
Ingrid dormia como dorme o oceano em noite fria
Era forte o vento, chovia
No branco do seu rosto foi tecendo em seu lugar
O verde limo das pedras que repousam em alto mar
Seu ar que sereno já fora um dia
Um dia já fora, mas agora partira
Ingrid dormia seu sono de vinte dias
Quando seus olhos mergulharam
Na beleza da face que a muita jazia
Ingrid não mais sorria
E do cheiro pútrido que sentira
A criada que acreditava que Ingrid dormia
Milhares de pequenos vermes como lombrigas assanhadas
Na barriga do seu lindo corpo cobrira
Mas Ingrid dormia
Dorme Ingrid. Cantou-lhe o pai
Dorme Ingrid. Cantou-lhe a mãe
Dorme Ingrid. Minha filha
E Ingrid dormia
Na cama vazia.
Ingrid dormia seu sono profundo
Um sono de anjo a muito estendido
Deitada na cama, aos poucos partia
Ninguém duvidava, Ingrid dormia
Tinha o ar sereno, de noite bem dormida
Rosto de porcelana, Ingrid sorria
Do andar de baixo a mãe sussurrava
Aos ouvidos do filho que barulho fazia
Mas anjos vindos de abismos escuros
Sentaram-se ao pé da sua cama
Ingrid dormia como dorme o oceano em noite fria
Era forte o vento, chovia
No branco do seu rosto foi tecendo em seu lugar
O verde limo das pedras que repousam em alto mar
Seu ar que sereno já fora um dia
Um dia já fora, mas agora partira
Ingrid dormia seu sono de vinte dias
Quando seus olhos mergulharam
Na beleza da face que a muita jazia
Ingrid não mais sorria
E do cheiro pútrido que sentira
A criada que acreditava que Ingrid dormia
Milhares de pequenos vermes como lombrigas assanhadas
Na barriga do seu lindo corpo cobrira
Mas Ingrid dormia
Dorme Ingrid. Cantou-lhe o pai
Dorme Ingrid. Cantou-lhe a mãe
Dorme Ingrid. Minha filha
E Ingrid dormia
Na cama vazia.
O CANTO REVISITADO
DANIELA
Ela falou baixinho
Disse que me amava
E foi tão baixinho
Quase que eu não escutava
Ela falou, eu te amo
E tudo ficou tão perfeito
Ela falou, eu te amo
E foi daquele seu jeito
Jeito de menininha
Jeito de quem me amava
Ela falou baixinho
E eu quase que não escutava
Bem perto do meu ouvido
Ela falou sussurrando
Disse que me amava
Eu também estava amando
Ela falou baixinho
Ela falou de repente
E quando me disse aquilo
Tudo ficou diferente
Ela meu deu um mundo
Eu dei meu mundo a ela
Ela falou, eu te amo
Eu te amei, Daniela.
Ela falou baixinho
Disse que me amava
E foi tão baixinho
Quase que eu não escutava
Ela falou, eu te amo
E tudo ficou tão perfeito
Ela falou, eu te amo
E foi daquele seu jeito
Jeito de menininha
Jeito de quem me amava
Ela falou baixinho
E eu quase que não escutava
Bem perto do meu ouvido
Ela falou sussurrando
Disse que me amava
Eu também estava amando
Ela falou baixinho
Ela falou de repente
E quando me disse aquilo
Tudo ficou diferente
Ela meu deu um mundo
Eu dei meu mundo a ela
Ela falou, eu te amo
Eu te amei, Daniela.
O CANTO REVISITADO
FOGO
Fogo queima minha alma
Eu corro
Fogo queima a minha alma
Eu fujo
Fujo para um lugar distante
Sozinho
Onde guardo meus poemas
Minhas poesias
Minhas palavras
Minha agonia
Fogo queima queimando minha alma
Queima e continua a queimar
E eu corro
Eu fujo.
Fogo queima minha alma
Eu corro
Fogo queima a minha alma
Eu fujo
Fujo para um lugar distante
Sozinho
Onde guardo meus poemas
Minhas poesias
Minhas palavras
Minha agonia
Fogo queima queimando minha alma
Queima e continua a queimar
E eu corro
Eu fujo.
O CANTO REVISITADO
O MANIFESTO DE UMA OVELHA ANARQUISTA
Não nasci para ser ovelha de rebanho
Sou ovelha negra
Desgarrada
Na contramão da estrada
Não estou no pasto
Estou no alto da montanha
Não como capim
Não como grama
Tomo chá de lírio
O algodão é meu
Ninguém tira
Ninguém vende
Ninguém põem a mão
Faço dele o que bem entender
Não nasci para seguir
Para ser igual
Não sou clone
Não sou Dolly
Sou o que penso
E o que penso é tudo o que me pertence
Vocês têm o direito de seguir o pastor
Por quantos caminhos quiserem
Assim como eu tenho o direito
De seguir o meu próprio juízo
Ainda que eu não tenha juízo algum
Portanto não me encham o saco
Nem me apontem o dedo
E se não for pedir demais
Não pastem as flores todas do caminho.
Não nasci para ser ovelha de rebanho
Sou ovelha negra
Desgarrada
Na contramão da estrada
Não estou no pasto
Estou no alto da montanha
Não como capim
Não como grama
Tomo chá de lírio
O algodão é meu
Ninguém tira
Ninguém vende
Ninguém põem a mão
Faço dele o que bem entender
Não nasci para seguir
Para ser igual
Não sou clone
Não sou Dolly
Sou o que penso
E o que penso é tudo o que me pertence
Vocês têm o direito de seguir o pastor
Por quantos caminhos quiserem
Assim como eu tenho o direito
De seguir o meu próprio juízo
Ainda que eu não tenha juízo algum
Portanto não me encham o saco
Nem me apontem o dedo
E se não for pedir demais
Não pastem as flores todas do caminho.
O CANTO REVISITADO
DA PEQUENA PONTE
Quase fingidas flores
Quase sempre dores
Tão pequena ponte
Ali no horizonte
Cicatrizes da alma
Quase sempre calma
Quase cinzas dias
Quase nunca alegrias
Sempre o mesmo rosto
Sempre o mesmo gosto
Quase sempre sua
Quase nunca lua
Assim, olhando a ferida
Tentando virar vida
Ali no horizonte
Da pequena ponte.
Quase fingidas flores
Quase sempre dores
Tão pequena ponte
Ali no horizonte
Cicatrizes da alma
Quase sempre calma
Quase cinzas dias
Quase nunca alegrias
Sempre o mesmo rosto
Sempre o mesmo gosto
Quase sempre sua
Quase nunca lua
Assim, olhando a ferida
Tentando virar vida
Ali no horizonte
Da pequena ponte.
O CANTO REVISITADO
BEST-SELLER
Teu rosto é poesia
Teu corpo, verso
Leio-te
Releio
Você é o meu livro de cabeceira.
Teu rosto é poesia
Teu corpo, verso
Leio-te
Releio
Você é o meu livro de cabeceira.
O CANTO REVISITADO
O SONHO DE JÚLIA
Julia sonhou que era estrela
Julia sonhou que era areia
Julia sonhou um poema
Seus olhos eram dois diamantes
Brilhando no alto, distantes
Em um céu verde, vermelho e amarelo
Com nuvens de cogumelo
Julia sonhou que era planta
Julia sonhou que era santa
Julia sonhou
O sonho de anjos celestiais
Hoje Julia sorri e canta
Lembrando de quando foi santa
De quando foi estrela
É teu este poema
E de tantos outros anjos celestiais
Julia não sonha mais.
Julia sonhou que era estrela
Julia sonhou que era areia
Julia sonhou um poema
Seus olhos eram dois diamantes
Brilhando no alto, distantes
Em um céu verde, vermelho e amarelo
Com nuvens de cogumelo
Julia sonhou que era planta
Julia sonhou que era santa
Julia sonhou
O sonho de anjos celestiais
Hoje Julia sorri e canta
Lembrando de quando foi santa
De quando foi estrela
É teu este poema
E de tantos outros anjos celestiais
Julia não sonha mais.
O CANTO REVISITADO
AO LADO DA MINHA CAMA
Ainda tenho o pedaço da sua caixa craniana
Dentro de um aquário ao lado da minha cama
Foi a única coisa sua que me restou
Quando o carro na curva da estrada derrapou
E até que é um pedaço de crânio bem bonitinho
Tem um monte de cabelinho
A massa encefálica no calor da estrada derreteu
Por isso eu acho que você já me esqueceu
Mas eu nunca me esquecerei de você
Pois sempre que me deito
Tenho o pedaço da sua caixa craniana para ver
E fico feliz por ter um pouco de você aqui comigo
E se não tenho as outras partes já nem ligo
Assim é a minha vida
Eu e a sua querida
Caixa craniana ao lado da minha cama.
Ainda tenho o pedaço da sua caixa craniana
Dentro de um aquário ao lado da minha cama
Foi a única coisa sua que me restou
Quando o carro na curva da estrada derrapou
E até que é um pedaço de crânio bem bonitinho
Tem um monte de cabelinho
A massa encefálica no calor da estrada derreteu
Por isso eu acho que você já me esqueceu
Mas eu nunca me esquecerei de você
Pois sempre que me deito
Tenho o pedaço da sua caixa craniana para ver
E fico feliz por ter um pouco de você aqui comigo
E se não tenho as outras partes já nem ligo
Assim é a minha vida
Eu e a sua querida
Caixa craniana ao lado da minha cama.
O CANTO REVISITADO
UMA CARTA PARA VIVIAN
UMA CARTA PARA VIVIAN
Quando as noites se tornarem chatas demais
Para notar as estrelas
Quando o dia se arrastar tão lento
Como um carro a perder-se no horizonte
Quando as flores perderem a graça
E todo o brilho escapar da primavera
Quando o sorriso de um homem perder o seu encanto
E todas as borboletas, pássaros, abelhas
Voarem para longe
Tão longe que jamais consiga alcança-los novamente
Quando tudo isso de uma só vez acontecer
Eu vou estar te esperando
Com a luz de um abraço incontido no peito
E toda alegria que couber em minha alma.
UMA CARTA PARA VIVIAN
Quando as noites se tornarem chatas demais
Para notar as estrelas
Quando o dia se arrastar tão lento
Como um carro a perder-se no horizonte
Quando as flores perderem a graça
E todo o brilho escapar da primavera
Quando o sorriso de um homem perder o seu encanto
E todas as borboletas, pássaros, abelhas
Voarem para longe
Tão longe que jamais consiga alcança-los novamente
Quando tudo isso de uma só vez acontecer
Eu vou estar te esperando
Com a luz de um abraço incontido no peito
E toda alegria que couber em minha alma.
segunda-feira, 19 de julho de 2010
O CANTO REVISITADO
NOITES INSÓLITAS
A lua que te espia te condena
Ao ócio que te mata que te pena
A alma que não voa aprisionada
Ao corpo que acompanha a madrugada
No escuro do teu quarto um gemido
De um sonho que despenca falecido
A porta que não abre ao sol ausente
De um brilho que se apagou de repente
As grades da janela a parede
O teto que desaba a sua sede
A noite aqui presente te ignora
Sepulta e esquece quem te chora
Ao lamento da ausência foi rompido
O abraço que tinha te esquecido
A lua que te espia te condena
Ao ócio que te mata que te pena.
A lua que te espia te condena
Ao ócio que te mata que te pena
A alma que não voa aprisionada
Ao corpo que acompanha a madrugada
No escuro do teu quarto um gemido
De um sonho que despenca falecido
A porta que não abre ao sol ausente
De um brilho que se apagou de repente
As grades da janela a parede
O teto que desaba a sua sede
A noite aqui presente te ignora
Sepulta e esquece quem te chora
Ao lamento da ausência foi rompido
O abraço que tinha te esquecido
A lua que te espia te condena
Ao ócio que te mata que te pena.
O CANTO REVISITADO
ODE À PREGUIÇA
To à toa na jangada que desliza
Num deslize arrepiante – preguiçoso
Por parar em cada coisa vou cantando
Num bocejo que é quase suspirando
Longe, me afasto, me esqueço
Largo o corpo que tem sede de silêncio
No vai-e-vem da rede que se arrasta
Canso e já me deixo - é o que basta
Sem eira nem beira na esteira da vida
Na distância exata do vicio das coisas
O que tenho para dividir é o meu abraço
E o que faço por vontade é não querer mais nada
A estrada é tão comprida e eu tenho sono
Deito e noto o céu, como ele me olha
E durmo na tranqüilidade de estar sendo observado
E peço a Deus para não ser mais acordado
Antes das dez horas da manhã.
To à toa na jangada que desliza
Num deslize arrepiante – preguiçoso
Por parar em cada coisa vou cantando
Num bocejo que é quase suspirando
Longe, me afasto, me esqueço
Largo o corpo que tem sede de silêncio
No vai-e-vem da rede que se arrasta
Canso e já me deixo - é o que basta
Sem eira nem beira na esteira da vida
Na distância exata do vicio das coisas
O que tenho para dividir é o meu abraço
E o que faço por vontade é não querer mais nada
A estrada é tão comprida e eu tenho sono
Deito e noto o céu, como ele me olha
E durmo na tranqüilidade de estar sendo observado
E peço a Deus para não ser mais acordado
Antes das dez horas da manhã.
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